ENTRUDO DA MISARELA

É um projeto de dinamização sociocultural que pretende reaproximar as duas margens do Rabagão, em torno de uma mesma ideia: recriar o Entrudo enquanto celebração da “entrada” da Primavera.

É este aliás o significado para o termo Entrudo que mais pareceres favoráveis colhe junto dos estudiosos, significando a chegada da Primavera, acreditando tratar-se de um culto da fertilidade e da vegetação com origens no período pré-romano.

Ao falarmos em fertilidade, que melhor espaço podemos encontrar para celebrar o Entrudo que esta Misarela, sinónimo de fecundidade, com toda a sua magia e mistério como pano de fundo, transfigurando-se num espaço de comunhão entre as duas margens. O seu estatuto de património classificado é uma enorme mais-valia para o sucesso desta iniciativa; se por um lado a classificação atribuída pelo IPPAR protege e promove o imóvel, por outro transforma-o num motivo de disputa por parte dos Concelhos, afastando as duas Freguesias quando as deveria unir em sua defesa. Sendo certo e sabido que a divisão dos distritos é pelo meio da ponte, a pertencer a alguém por inteiro só pode pertencer a Barroso.

Realizar este evento entre as Freguesias de Ferral e Ruivães terá um significado especial, é também aqui um retorno às origens, uma vez que “Villar de Vacas”, assim se denominava a antiquíssima Vila barrosã de Ruivães, que constituiu juntamente com a Freguesia de Campos o couto de Ruivães, uma das «sete honras de Barroso», foi cabeça de Concelho medieval da comarca brigantina de Montalegre, reunindo ainda as Freguesias de Ferral, Cabril, Covêlo do Gerês, Reigoso, Salto, Venda Nova, Pondras e Vila da Ponte, até ao ano de 1853, data em que é decretada a sua extinção enquanto concelho, em resultado da última grande reforma administrativa levada a cabo em Portugal.

PONTE DE MISARELA

A bonita Ponte da Misarela situa-se sobre o cristalino rio Rabagão, em pleno Gerês, perto da Barragem da Venda Nova, mais propriamente no lugar da Misarela, freguesia de Ferral, no concelho de Montalegre.

Esta estrutura data provavelmente da época medieval, ou pelo menos de tradição arquitectónica medieval, enquadrada de forma espectacular na paisagem de densa vegetação.

A ponte está associada a uma já famosa lenda, onde o protagonista é o Diabo, daí que muitas vezes esta seja apelidada de “ponte do Diabo”. Reza a lenda que certo dia um criminoso ao fugir da justiça vê-se encurralado nos penhascos sobranceiros ao rio Rabagão. Em desespero, apelou, à ajuda do diabo, que acedeu, pedindo em troca a sua alma.

O diabo fez então aparecer uma Ponte ligando as margens do rio, passando então o criminoso, mas de seguida fazendo-a desaparecer, travando assim as autoridades.

O criminoso, arrependido, decide procurar um frade para ter a sua alma de volta. Obedecendo ao plano do frade, o criminoso volta ao lugar a pedir o auxilio do Diabo para a travessia, fazendo reaparecer a ponte. O frade benze então com água benta a Ponte, o penitente recupera a alma perdida e o diabo perde a mais uma batalha do bem contra o mal.

A ponte ficou então com um carácter sagrado, e ainda hoje se diz que se algo vai mal numa gravidez, deve a mulher pernoitar debaixo da ponte, e a primeira pessoa que pela manhã passar pela ponte deverá ser o padrinho ou madrinha da criança, que deverá receber o nome de gervásio ou Senhorinha.

De facto, regularmente vários Gervásios e Senhorinhas aqui se reúnem desde há tempos remotos, para celebrar esta lenda, que talvez lhes tenha salvo a vida!

Há quem diga que a Ponte é também apelidada de “Ponte do Diabo” ou “do inferno” por “lembrar apenas ao diabo” uma construção a esta altura e com estas configurações.

Localização: Misarela - Ferral - Montalegre - Portugal
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