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Território e Recursos Naturais

Floresta OutonoA região do Alto Tâmega distribuiu-se por duas regiões biogeográficas: a Região Euro-siberiana e a Região Mediterrânica. Existem as zonas planálticas do Alvão e do Barroso, com altitudes superiores a 700m, frias e ventosas, e os vales de Chaves e Vila Pouca de Aguiar, mais quentes e abrigados. No fundo do vale de Chaves, por exemplo, a altitude ao nível do rio Tâmega é de 350m. Há várias serras com altitudes superiores a 1.000 metros, destacando-se as serras do Gerês com 1.445m e do Larouco com 1.525m. A região faz fronteira a Norte com a Comunidade Autónoma da Galiza (Espanha), a Sul com os municípios acima referidos que no seu conjunto compõem uma área de 2.932 km2 e na qual residem 94.143 habitantes.

O Alto Tâmega integra uma zona verde formada pelas veigas de Chaves e Vila Pouca de Aguiar, de altitudes compreendidas entre 400 e 750 metros, com solos de excelente capacidade agrícola. Uma zona de planalto, em Boticas, Montalegre e Valpaços, de altitudes compreendidas entre 800 e 1.000 metros, com boas aptidões para pastagens e cereais e uma zona de montanha, em Boticas e Montalegre, com altitudes até aos 1.500 metros com boas aptidões florestais nomeadamente ao longo do vale do rio Tâmega, nos concelhos de Chaves, Boticas, Vila Pouca de Aguiar e Ribeira de Pena. É, também, de referir que uma parte do concelho de Montalegre está integrada no Parque Nacional da Peneda-Gerês e parte do concelho de Valpaços integra-se na Terra Quente Transmontana. O concelho de Ribeira de Pena pode considerar-se uma zona de transição entre Trás-os-Montes e Minho. A altitude mínima da região são os 154 m registados em Ribeira de Pena como o local de menor altitude em todos os municípios do Alto Tâmega.

A Água – Hidrografia

Água Alto TâmegaOs recursos hídricos, superficiais e subterrâneos, são uma das marcas distintivas desta região.

O principal curso de água é o Rio Tâmega, que atravessa os concelhos de Chaves, Boticas e Vila Pouca de Aguiar. A sua bacia hidrográfica tem uma forma alongada no sentido NE/SW, com uma área total de 3.328 Km2, dos quais 2.558 Km2 são em território nacional.

A oeste, a zona do Alto Barroso é drenada pelos rios Cávado e Rabagão com caudal permanente, com exceção das linhas de água da rede terciária. A principal linha hidrográfica é o rio Cavado, que nasce a 1.500 metros de altitude na Serra do Larouco. Daí desce para a extensa veiga planáltica de Montalegre. Por alturas de Sezelhe o rio Cávado é cortado pela Barragem do Alto Cávado, com uma bacia hidrográfica de 102 Km2. Desta albufeira sai um túnel de derivação de 5 Km de comprimento que desvia as águas do Cávado para a Barragem do Alto Rabagão, com uma bacia hidrográfica de 108 Km2.

Do outro lado da montanha, o rio Rabagão, após a barragem dos Pisões, transforma-se na albufeira de Venda Nova (altitude 700 m). A última albufeira no rio Cávado do concelho de Montalegre é a de Salamonde.

Para além dos grandes aproveitamentos hidroelétricos que referimos há ainda um número significativo de pequenas barragens:

  • Açude da veiga de Chaves/açude de Vila Verde, rega
  • Aproveitamento hidroagrícola de Curalha, rega
  • Aproveitamento hidroagrícola de Mairos, rega
  • Aproveitamento hidroagrícola do Rego do Milho, rega
  • Barragem de Arcossó/Nogueirinhas, rega
  • Mini-hídrica da Mesa do Galo, hidroelétrica
  • Aproveitamento hidroelétrico de Bragadas
  • Barragem de Bouçoais/Sonim, hidroelétrica
  • Empreendimento hidroelétrico do Bragado
  • Barragem da Falperra, rega e lazer

Estão ainda projetadas novas infraestruturas hidráulicas de armazenamento de água e de produção de energia hidroelétrica. A título exemplificativo destacam-se a barragem do Pinhão, em construção no rio com o mesmo nome, e a barragem de Tinhela, ambas no concelho de Vila Pouca de Aguiar, bem como o grande empreendimento hidroelétrico do Tâmega, constituído por três barragens, um projeto da empresa Iberdrola.

Recursos Mineiros

Recursos Mineiros Alto TâmegaO Alto Tâmega é dotado de uma elevada abundância de recursos mineiros, passíveis de representar interessantes reservas estratégicas. Esta região é rica em jazidas minerais, comprovadas pela permanência das marcas de antigas explorações mineiras de ouro e volfrâmio. No concelho de Vila Pouca de Aguiar localizaram-se as principais explorações mineiras de ouro presentes no Alto Tâmega. Na localidade de Campo de Jales, nas denominadas “Minas de Jales”, foram explorados ouro e prata. As minas da Borralha que se localizam junto à povoação com o mesmo nome, no concelho de Montalegre, foram a segunda maior exploração de volfrâmio a nível nacional. Nas Minas do Carris, localizadas no limite Oeste do concelho de Montalegre, próximo da fronteira e em plena Serra do Gerês, foi também explorado Volfrâmio. O estanho é um mineral relativamente abundante no Alto Tâmega, nomeadamente na zona NW, associado a filões pegmatíticos. Estes filões estão associados ao antigo Couto Mineiro do Beça, no concelho de Boticas.

Fauna

Fauna Alto TâmegaMuitos trabalhos científicos comprovam a elevada biodiversidade desta sub-região, estando identificados, no Alto Tâmega, 177 espécies de aves, 53 espécies de mamíferos, 23 espécies de répteis, 13 espécies de anfíbios e 15 espécies de peixes. Se acrescentarmos que, por ex., há 64 espécies de aves incluídas nos anexos da Diretiva Aves, consideradas como Espécies de Interesse Comunitário, significando 36% do total de aves identificadas nesta região e que em termos territoriais representa cerca de 3% do território nacional continental, conclui-se que o Alto Tâmega é uma das regiões do país e da Península Ibérica com maior diversidade e importância para a sua conservação.

Podemos referir a presença de certas espécies de répteis e anfíbios como a Mauremys leprosa, Psammodromus hispanicus, Blanus cinereus, Tarentola mauritanica ou Rana iberica, com estatuto de conservação desfavorável, não havendo informação adequada que permita medidas concretas para a sua proteção e gestão ou a implementação de medidas minimizadoras de impactos, aquando da instalação e exploração de certas infraestruturas.

Alguns mamíferos como a Lutra lutra ou Galemys pyrenaicus requerem também informação atualizada que ateste a sua presença e real distribuição, sendo também Espécies de Interesse Comunitário.

As atividades turísticas e recreativas, particularmente aquelas realizadas nas áreas protegidas, nem sempre são ajustadas e compatíveis com as especificidades naturais e culturais desses espaços, constituindo frequentemente um fator de desagregação ambiental e sociocultural. A Observação de Aves (mais conhecida como Birdwatching ou Birding) é uma atividade de lazer, realizada ao ar livre, sendo um dos passatempos com crescimento mais rápido em todo o Mundo, havendo estimativas de mais de 80 milhões de observadores de aves. O Alto Tâmega, pelo número de espécies que fazem parte da sua biodiversidade, constitui-se um local propício à prática deste desporto, existindo já observatórios nos concelhos de Chaves, Montalegre e Vila Pouca de Aguiar.

Flora

Flora Alto TâmegaCaracterística marcante da região é a abundante diversidade de vegetação profundamente relacionada com a ocupação humana e a sua atividade. Os bosques de folhosas são a base ancestral da vegetação local, com inúmeras espécies companheiras, arbustivas e herbáceas.

As composições arbóreas de carvalhos, castanheiros e pinheiros, são das que mais relevo têm neste conjunto. Associadas a estas massas florestais de influência atlântica e Euro-siberiana, é exequível encontrar espécies como o abrunheiro (Prunus spinosa), o escambrunheiro ou pirliteiro (Crataegus monogyna) ou o azevinho (Ilex aquifolium).

Os carvalhais são bosques muito diversificados, onde embora domine o carvalho existe um grande número de outras espécies de árvores e arbustos como, o zangarinho (Frangula alnus), lamagueira (Sorbus aucuparia), o vidoeiro (Betula celtibérica), os mirtilos ou arandos (Vaccinium myrtillus), cujas bagas são aproveitadas para compotas e as folhas para chá. Comportam ainda um vasto e variado leque de flores silvestres, musgos, líquenes, fetos e fungos (cogumelos). Outra espécie de grande valia ecológica é a pereira brava (Pyrus piraster), espécie rara, fundamental no regime alimentar de várias espécies de fauna.

Em locais de maior influência mediterrânica surgem as matas dominadas pelo sobreiro (Quercus suber) e pela azinheira ou carrasco (Quercus ilex). A oliveira (Olea europaea) é um dos sustentáculos da economia agrícola da região constituindo uma das imagens de marca da paisagem local. O medronheiro (Arbutus unedo), o rosmaninho (Lavandula stoechas subsp. pedunculata) e a esteva (Cistus ladanifer), são dos arbustos mais apreciados pelas espécies melíferas.

Nas margens dos rios e ribeiros dominam espécies como o olmo ou negrilho (Ulmus procera), o salgueiro (Salix atrocinera e Salix salvifolia), o loureiro (Laurus nobilis) e a aveleira brava (Coryllus avellana).

Agropecuária

Agropecuária Alto TâmegaNo que concerne às raças autóctones é de realçar que as populações rurais sempre tiraram proveito da agropecuária, como principal manancial de riqueza e de subsistência, daí a origem e desenvolvimento de várias raças autóctones, caracterizadas por um património genético único eperfeitamente adaptado às duras condições naturais desta região. Como exemplos destas raças autóctones podemos referir o cavalo de raça luso-galega (Garrana), os caprinos (Capra hircus) das raças Bravia e a Serrana Transmontana, e os ovinos das raças Bordaleira de Entre Douro e Minho, Charrua da Terra Quente e a Galega Bragançana.

Na classe dos bovinos sobrevêm três raças autóctones: a Barrosã, a Maronesa e a Mirandesa. O porco (Sus domestica), representado pela raça autóctone Bísaro, foi e ainda é um animal de extrema importância cultural e económica, tendo constituído, durante séculos, a única carne capaz de ser conservada e consumida ao longo do ano, dando origem ao famoso “fumeiro” transmontano.

Áreas Protegidas e Classificadas

Zonas Protegidas Alto TâmegaAs áreas protegidas pertencentes à Rede Nacional de Áreas Protegidas, existe o Parque Nacional da Peneda-Gerês (PNPG). Trata-se do único Parque Nacional de Portugal. A sua criação (Decreto-Lei nº 187/71, de 8 de Maio) visou a realização nessa área montanhosa de um planeamento capaz de valorizar as atividades humanas e os recursos naturais, tendo em vista finalidades educativas, turísticas e científicas. No fundo, trata-se de conservar solos, águas, a flora e a fauna, assim como preservar a paisagem nessa vasta região montanhosa do Noroeste português. Na região do Alto Tâmega, o PNPG integra cerca de 26% da área do concelho de Montalegre e tem fronteira com o Parque Natural Baixa Limia/Serra do Xurês (Galiza) (que em conjunto formam o Parque Transfronteiriço Gerês/Xurês). Dada a sua localização fronteiriça com Espanha, esta região é também o limite do Sítio de Interesse Comunitário (SIC) do Tâmega (ES1130005), com uma área de 718,76 ha, no troço em que o rio Tâmega é a fronteira administrativa entre os dois países.

A região do Alto Tâmega tem um carácter único quanto à ocorrência de espécies de fauna e flora de interesse comunitário, com a consequente classificação de vários territórios como Rede Natura 2000. Existem aqui as seguintes áreas classificadas: Zonas de Proteção Especial (ZPE) – Serra do Gerês (PTZPE002) e Montesinho/Nogueira (PTCON0002), e Sítios de Interesse Comunitário (SIC) – Alvão/Marão (PTCON003), Montesinho/Nogueira (PTCON002) e Peneda/Gerês (PTCON001).

 

Zonas de Proteção Especial (ZPE)

ZPE Serra do Gerês: esta zona tem uma área de 63.438,11ha, além de coincidir em grande parte (92%) com o Sítio de Interesse Comunitário Peneda/Gerês e de estar integrada no Parque Nacional da Peneda-Gerês, tem também 3% do seu território classificado como Reserva Biogenética (Matas da Palheiros-Albergaria). Situa-se na região Noroeste de Portugal, desenvolvendo-se entre os planaltos da Mourela (concelho de Montalegre) e de Castro Laboreiro (concelho de Melgaço), incluindo grande parte das serras da Peneda, Soajo, Amarela e Gerês, onde alcança os 1545 metros de altitude. A região caracteriza-se pelo relevo rigoroso, com uma paisagem de cristas aguçadas, escarpas e desfiladeiros profundos, bem representados sobretudo na serra do Gerês.

 

ZPE Montesinho/Nogueira: ocupa uma área de 108.010,59ha, correspondendo em 99% ao SIC Montesinho/Nogueira. A paisagem desta ZPE caracteriza-se por um mosaico de habitats, resultado da grande variedade geológica, com grandes diferenças de altitude e com os diferentes tipos de atividades humanas desenvolvidas ao longo de séculos. Destaca-se aqui a agricultura tradicional de montanha, baseada sobretudo na exploração de pecuária extensiva.

 

Sítios de Interesse Comunitário (SIC)

SIC Peneda/Gerês: com uma área de 88.845ha, este Sítio localiza-se numa região montanhosa acidentada, com predomínio de rochas graníticas, relevo vigoroso e com um carácter desnudado. Emtermos climáticos tem uma grande influência atlântica, mas sofre também influência mediterrânica e continental, que varia à medida que nos deslocamos para o interior ou em altitude, o que promove uma grande diversidade de habitats.

 

SIC Montesinho/Nogueira: ocupa uma área de 107.719ha e inclui no seu perímetro a ZPE Montesinho/Nogueira. É um Sítio com uma extraordinária diversidade de comunidades e espécies, cruzando aqui elementos típicos dos ecossistemas de montanha do eixo pirenaico-cantábrico (limite meridional de distribuição), com elementos tipicamente mediterrânicos (limite setentrional de distribuição).

 

SIC Alvão/Marão: este Sítio, com 58.788ha, integra na sua área o Parque Natural do Alvão, abarcando grosso modo as serras do Alvão e Marão, com altitudes máximas de 1330 e 1416 m, respetivamente, delimitado a Oeste pelo rio Tâmega e a Este pelo rio Corgo.